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Catarino's FotoPage Dizem que uma imagem vale por mil palavras... Mas que mil palavras poderiam ser essas? E assim tornei-me um caçador de palavras. By: A M Catarino
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| Tuesday, 24-May-2005 00:00 |
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Diagonais
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Psst! Psst! Sim, tu aí. Ouve-me, vou contar-te um segredo… As diagonais perseguem-me. Para onde quer que eu olhe, vejo-as! Não compreendo porque me tomaram de ponta… Eu nunca lhes fiz nada de mal. Espera! Por favor, não te vás embora! Tu és a minha última esperança. Ouve… Ouve… Acaso não reparaste como o mundo mudou nos últimos anos? Não observas como a vida dos homens tem cada vez menos sentido? Não te parece que a humanidade caminha a passos largos para a sua própria auto-imolação? Não sentes como o clima mudou, como o ambiente se degradou? Eu sei que o discurso oficial é a história do buraco de ozono, o que em certa medida não é mentira. Mas a situação é bem mais complicada do que aquilo que aparenta. Eu vou contar-te a verdade. Mas tens de prometer que me vais ouvir de cabeça aberta!… A explicação para o desgoverno crescente do rumo da humanidade, foi a chegada de uma perigosa e poderosa raça alienígena à Terra durante a fase final do século XX. Vieram para ocupar o nosso planeta, mas têm tempo e não estão para se cansar muito. O método é simples: intensificaram o ritmo de evolução da raça humana, acelerando o seu fim. Sim, porque o homem falhou todos os testes a que as grandes entidades cósmicas os submeteram. O homem condenou-se a si próprio, a humanidade cada vez revela menos aptidão para ser humana. Este fim era inevitável, mas nunca tão abruptamente como agora se avizinha! Já te falei do método, agora vou contar-te quão simples e terríficos são os meios dos ET’s: eles limitam-se a propagar as diagonais por toda a nossa volta! Julgo que a razão é a seguinte: eles não têm uma presença física num corpo vivo como nós. Eles são uma mera forma de energia, mas precisam dum hospedeiro, não dum hospedeiro vivo, algo que os possa albergar de tempos a tempos, para retemperarem forças, para recarregarem as baterias. As árvores, por exemplo, não servem. Pouco importa a “coisa” onde se ocultam enquanto não estão a acelerar a história da humanidade. Não interessa o material de que é feito, mas tem de obedecer a dois pré-requisitos fundamentais: primeiro tem obrigatoriamente de ser inanimado e segundo deve impreterivelmente desenhar uma diagonal. Não me perguntes porquê, não faço a mínima ideia. Só sei que eles se escondem nas diagonais. Também não sei porque sou o único homem à face da terra capaz de os desmascarar, mas digo-te que esta não é uma bênção… Eu chamar-lhe-ia antes uma maldição, pois agora elas, as diagonais, andam atrás de mim. Não descansarão enquanto não me encostarem a uma parede e não me aniquilarem. Não reparas como as diagonais ganham cada vez maior protagonismo no design de todo e qualquer produto? Sapatos, carros, monumentos… Já vi aliens em saltos altos de sapatos de senhora. Já vi aliens em portas de carros desportivos. Já vi aliens em monumentos modernos, que ironicamente celebram o iminente fim da humanidade… Meu Deus! Eu já vi aliens um pouco por todo o lado! E se eu te contasse o aspecto… Não queiras saber como é monstruosa e imaterial a presença deles… Espera? Que barulho foi este? Eis-los que apertam o cerco! Não posso falar muito mais. Se me acontecer alguma coisa entretanto, tu serás a única pessoa a saber o que aconteceu realmente. Se me acontecer alguma coisa, digamos que, por exemplo, um acidente inesperado, não te cales! Tu és a única pessoa que sabe a verdade: as diagonais estão prestes a conquistar o mundo. Confio em ti. Não me deixes ficar mal. O futuro da humanidade repousa nas tuas mãos.
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