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Catarino's FotoPage
Dizem que uma imagem vale por mil palavras... Mas que mil palavras poderiam ser essas? E assim tornei-me um caçador de palavras.
By: A M Catarino

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Tuesday, 22-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Escondido nas sombras da noite #2

 
 
 
É estranho ver o mundo de todos os dias assim, sobrenaturalmente transfigurado.

Ver os locais que os nossos pés percorrem, dia após dia, pincelados de cores e tons jamais imaginados ou sonhados.

Por um momento convencemo-nos de que, afinal, talvez habitemos um recanto de Marte ou doutro planeta qualquer – esta não pode ser a terra, este não pode ser o cenário da minha vida, esta não pode ser a minha casa.

la luz es impresionante en las tres fotos, la que mas me gusta es la tercera Tue 22-Mar-2005 21:55
Posted by:adri  - [Link]
I agree w. Judith....awesome!! Tue 22-Mar-2005 22:44
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Tue 22-Mar-2005 23:46
Posted by:josti  - [Link]
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Monday, 21-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Escondido nas sombras da noite #1

 
More night shots
 
À noite todos os gatos são pardos – diz o povo, naquela infinita sabedoria acumulada ao longo de séculos e séculos de experiência, transmitida de pai para filho, de mãe para filha, de boca para boca, como um beijo condensando a ternura, inteligência e prudência de mil gerações.

Os gatos, pardos ou não, percorrem, ocultos na escuridão, um mundo a coberto de nossos olhos.

Um mundo incógnito, desconhecido, inimaginável.

Um mundo em que os nossos olhos não conseguem tocar.

Inacessível? Talvez não.

Munido duma máquina fotográfica, posso cortar o silêncio da noite e gritar “Mãos ao alto, mundo!” – congelando o tempo dentro do tempo, cristalizando tudo o que acontece no olho mágico da câmara durante escassa meia dúzia de minutos, numa única e profética imagem.

Ah! Mas como me enganei…

Quando os meus olhos tocam finalmente esse almejado mundo, através da imagem, reparo que a descomunal engrenagem cósmica não se deteve por mim ou pela minha máquina.

O tempo parou, mas o mundo continuou a rodar sobre o seu próprio eixo – e trouxe as estrelas no seu rastro, como se as arrastasse com uma trela pela abóbada celeste fora.

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WOWOWOWOW!!!! These are excellent!!! Mon 21-Mar-2005 22:29
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Tue 22-Mar-2005 23:47
Posted by:josti  - [Link]


Friday, 18-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
No deserto

 
 
 
O deserto é o lugar mais indicado para nos perdermos, quando urge encontrar-nos connosco próprios.

É fácil perder-nos no deserto – não é preciso muito para nos perdermos no deserto.

É num ápice que a mudança de vento altera drasticamente a face do percurso que vínhamos a percorrer. Quando olhamos em volta e pensamos voltar, verificamos que já não sabemos por onde o poderíamos fazer. o calor aperta, a sede aumenta. Prosseguimos, para onde não sabemos.

A beleza do mistério apodera-se-nos sentidos.

Pegadas de animais furtivos, cruzando o trilho que pretendíamos tomar, sobressaltam-nos o espírito. Que género de feras e bestas se escondem para além destas dunas?

A sensualidade do perigo dita as suas leis.

Rezo secretamente para não reencontrar o caminho que me devolva à praia e ao bulício de mais um dia de verão roubado ao Inverno.

A quem é que terei de vender a minha alma para nunca mais sair daqui?

Fri 18-Mar-2005 07:50
Posted by:josti  - [Link]
O isolamento nos leva ao autoconhecimento. Jesus-Cristo esteve no deserto, e Saulo ficou no deserto para concluir a sua conversão ao cristianismo e se torna, enfim, Paulo de Tarso. Será que o deserto é o caminho? Fri 18-Mar-2005 12:47
Posted by:Iris Letí­cia ilvieira@pop.com.br  - [Link]
existem desertos dentro de nós ainda mais áridos e hostis que os desertos da Terra Fri 18-Mar-2005 13:56
Posted by:fairy_morgaine
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Monday, 14-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Tecto do mundo

 
Antes de aspirar fundo o ar vagamente salgado da maresia, olhei em volta desconfiado.

Sentia-me seguido desde já há algum tempo.

Imaginava que, algures lá atrás, muito atrás, ainda na cidade, alguém entrara num táxi e ordenara com voz pausada mas urgente “Siga aquele carro.” Entretanto, os quilómetros sucederam-se, os prédios foram sendo substituídos por casas cada vez mais baixas, até desaparecerem completamente quaisquer vestígios de habitação humana, e a paisagem se resumir a vastas planícies douradas a perder de vista e ao azul límpido do céu.

Apenas o céu e a terra.

Mas aquela desconfortável sensação não me abandonava. Parei diversas vezes, inquieto. Saía do carro e esperava que algo acontecesse. Olhos fixos no horizonte onde se desenhava ainda o mundo que tardava em deixar para trás. Custava-me a acreditar que não estivesse a ser seguido. Será assim tão fácil escapar-me?, questionava-me intrigado. E seguia caminho.

E de repente o mar.

O mar lá longe, no horizonte. Primeiro uma linha ainda indistinta de azul, desenhando a fronteira entre o céu e a terra, e, depois, crescendo, crescendo cada vez mais, crescendo para mim. Percebi que iria alcançar a costa muito antes daquilo que previra, apesar de todas as paragens ordenadas pela minha insuspeita suspeição. Pisaria a areia da praia ainda antes do anoitecer.

A distância diminuía cada vez mais. Sentia que cada nova volta completa das rodas do carro, mais perto me colocava do mar. Percebi que o tempo estava a mudar. Quanto mais me aproximava, mais compactas me pareciam as nuvens empurradas pelos ventos do mar para a terra. Dir-se-ia que a nuvens se apressavam em vir ao meu encontro. O horizonte era agora a indistinta fusão do mar e do céu. Em alguma parte por ali estaria a serventia que ligava o mundo e o céu.

Ali, ou talvez acolá, ou quem sabe além.

Mas nem isto me distraiu da sensação de estar a ser seguido.

Imobilizei o carro e desliguei o motor. Parecia que a minha viagem chegara ao fim. E foi então que a luz brotou por entre o algodão das nuvens.

Saí do carro e caminhei em direcção ao manso rebentar das ondas – sempre espiando por cima do meu ombro.

Fechei os olhos e aspirei profundamente a maresia que serpenteou docemente pelas minhas narinas.

Reabri os olhos e mirei o mar com desgosto, embora sem ressentimentos – afinal ele bloqueava-me o caminho, cortava-me a passagem. Ou seria que não?

Não tardaria a ser alcançado pelo meu hipotético perseguidor, se ele existisse realmente.

Espreitei uma vez mais por cima do meu ombro e desafiei-o:

– Talvez nos encontremos no tecto do mundo.

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Nice one!! Sun 13-Mar-2005 23:52
Posted by:Steve Troy  - [Link]
muy lograda,,, Mon 14-Mar-2005 21:14
Posted by:adri  - [Link]
I like the clouds Tue 15-Mar-2005 19:41
Posted by:dottedstripes  - [Link]


Friday, 11-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Brilhante

 
(ou a história do amor impossível entre um golfinho prateado e uma crosta de gelo)

Primeiro era a noite e a escuridão. Nela nos pressentimos, inicialmente, tacteando suavemente uma ancestral premonição.

Depois veio a madrugada, espreitando preguiçosamente. Encontrou-nos incrustados cada um no seu pedestal. A madrugada desviou pudicamente o olhar, e cedeu o seu lugar à manhã. A manhã trouxe no ventre o sol, derramando sobre nós a luz que nos fez brilhar acima de todas as coisas.

E eu perguntei:

- Para sempre?

E tu sorriste alegremente:

- Para sempre.

Desventura das desventuras, seria a mesma luz que nos fez brilhar acima de todas as coisas, que, indirectamente, com o calor do seu bafo, fatal como o destino, nos apartaria irreversivelmente.

Senti-me diluir e definhar lentamente, e perguntei:

- Para sempre?

E tu confirmaste tristemente:

- Para sempre.

Sat 12-Mar-2005 10:18
Posted by:Mark  - [Link]
wow.. these are amazing Sun 13-Mar-2005 03:33
Posted by:danielle jersey1113@aol.com  - [Link]
Demais ... de todas a mais bela... sem duvida... palavras para quê... afinal esconde-se por detrás desse sorriso algo mais ... alguem que tem muito a revelar... jokinhas Fri 18-Mar-2005 13:27
Posted by:Andrea Silva andreasilva201@hotmail.com
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Tuesday, 1-Mar-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Novelo

 
 
 
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Sobe à montanha. Mas não te apresses. Toma o teu tempo. A lagoa aguarda-te, serenamente, lá em cima, onde o ar rareia ainda sem asfixiar.

A lagoa receber-te-à de braços abertos, de bom grado acolherá em seu seio o teu segredo – sem uma pergunta, sem uma palavra sequer.

Podes escolher o dia e a hora, mas nunca o momento certeiro.

Não desesperes, porém.

Respira fundo.

Sente o sol beijar a tua pele, assim como afaga uniformemente o gelo que se estende desde os teus pés até ao horizonte sem fim.

Sol-gelo: sê-lo, pois claro.

Respira fundo…

Não consegues?

Ah! Compreendo. Sabes que o nevoeiro te espreita. Tu sabes que o nevoeiro nunca te esqueceu. “Recordas-te de mim? Temos umas continhas a ajustar.”

Sabes que ele não desistirá enquanto não estiverem quites.

Um passo em falso não te fará tombar através do fino gelo, mas fechar-te-à irremediavelmente o caminho de regresso.

Conheces o caminho? E depois? Grande coisa, o nevoeiro conhece-te a ti. Ele nunca te esqueceu. Devias ter voltado para trás, como prometeste. Pensaste que ninguém te poderia julgar, depois de calada a promessa no teu peito? Pois, pois. Só que o nevoeiro ouviu-a. O nevoeiro escutou as tuas palavras. Escutou-as e ergueu um pouco do seu manto. Quis ver o que farias, assim que tornasses ao jipe. Quem sabe o que teria acontecido se tens voltado para trás? Encontrá-los–ias ainda com vida? Não estariam condenados de qualquer forma? Ele estava ferido, ela escolheu não o abandonar. Talvez hoje eles ainda estivessem vivos. Ou talvez tu estivesses morto também. Nunca o vais saber. Sabes apenas que o nevoeiro nunca te esqueceu. Reparaste como ele te acompanhou e seguiu atentamente ao longo dos últimos anos? Quantas vezes não o surpreendes-te a espreitar-te lá de cima, da montanha? Quantas vezes não te fechaste em casa ao senti-lo farejar à tua porta? Quantas vezes não amaldiçoaste o momento em que giraste o volante no caminho de regresso à aldeia ao invés de te embrenhares de volta ao nevoeiro?

Mas isso é passado. Agora sobe à montanha. Caminha junto à lagoa. Percorre todo o seu perímetro. Rodeia-a sem pressas.

Este momento é tão bom como qualquer outro. Não é nem mais, nem menos do que aquele outro momento, neste preciso instante tantos anos atrás.

Não sentes o bafo frio do destino a entrançar-se em volta de ti, a enrolar-se em redor de ti num abraço fatal?

Nevoeiro-gelo: novelo, ora aí está.

Não? Está bem. Ficamos assim …até à próxima.

It looks cold and desolate....yet beautiful. Tue 1-Mar-2005 19:03
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Another beautiful set! Wed 2-Mar-2005 02:23
Posted by:dottedstripes  - [Link]
Wed 2-Mar-2005 07:33
Posted by:Mark  - [Link]
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Tuesday, 22-Feb-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Frio

 
 
 
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Era apenas mais uma caminhada, como tantas outras que fizéramos naqueles dias. O tempo estava frio, mas o sol espreitava por entre as nuvens, banhando o meu caminho com a sua luz.

Penso que não era o último do grupo, mas também não engrossava o pelotão da frente. Estava a meio caminho, algures entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Não conhecia o percurso, mas isso também não me preocupava. Sabia que me bastava seguir o trilho assinalado.

De repente as sombras tomam conta do mundo. Nuvens cada vez mais cinzentas galopam os céus acima da minha cabeça.

Sem que nada antes mo fizesse adivinhar, começam a cair os primeiros flocos de neve. Inicialmente sigo o meu caminho, maravilhado. Nunca vira nevar. Lembro-me de conhecer a neve aos 6 anos e de a reencontrar, em circunstâncias em tudo idênticas, aos 13 anos – levantara-me da cama e encontrara o mundo de todos os dias irreconhecivelmente branco. Mas nunca vira a neve a cair. Tomara-a nas mãos, mas não a vira precipitar-se dos céus.

Desta vez vejo-a a cair.

Desta vez observo como as deslumbrantes e encantadas formas dos flocos poisam nas minhas mãos, apenas para logo se derreterem e transformarem em simples gotas de água.

Ofereço o meu sorriso aos flocos de neve, que, ingratos, mal tocam o meu rosto, se metamorfoseiam em lágrimas do céu.

O que o que começara por ser uma inofensiva amostra de neve, ameaça agora tornar-se num terrível nevão.

Começo a sentir-me apreensivo.

Surprendentemente, a neve não molha. Não me sinto encharcado como sentiria se tivesse sido surpreendido por uma chuvada ao invés dum nevão. O que, assim como assim, é menos mau. Porém, o frio… o frio começa a tomar conta de mim. Poderia jurar que a circulação abranda nas minhas veias, como se o sangue me começasse lenta mas irreversivelmente a congelar.

Não parei de andar desde que a neve começou a cair, todavia não tornei a encontrar ninguém daqueles que seguiam à minha frente. Suspeito ter tomado o caminho errado na última bifurcação do caminho lá atrás, porém, sentir-me-ia idiota em regressar, se porventura viesse a concluir que era este o caminho correcto.

É melhor continuar, seguir em frente. Mas o frio… o frio…

O frio?

O frio aquece-me, inesperadamente, a memória, reateando o incêndio daquela que creio ser a mais antiga das minhas recordações.

Viajo uma vez mais no banco traseiro do carro dos meus pais. Não posso dizer com certeza a minha idade. Sei que tenho menos de três anos, pois estou sozinho no banco de trás. O meu irmão ainda não nasceu, portanto. Brinco com um carrinho azul. Já não me lembrava daquele carrinho… A sua lembrança apagara-se-me pura e simplesmente. Era o meu brinquedo preferido. Foi-o (sê-lo-à) até ao dia em que o segurei com a minha mão fora do vidro, para o fazer sentir a carícia do vento, acabando por o deixar caído numa estrada qualquer, atraiçoado pela minha voz que não foi capaz de pedir ao meu pai para parar o carro o carro de modo a que eu o recuperasse. Mas essa é uma outra história. Nesta noite, na noite em que o carrinho percorre em segurança o banco de trás do carro do meu pai, o céu está colorido de vermelho. Não compreendo porquê. O meu pai diz que é a luz do fogo cá em baixo lá em cima. A minha mãe abre a boca de surpresa.

O carro do meu pai segue caminho. Perde-se no nevoeiro branco que cerca as minhas recordações. O meu carrinho azul também, ainda e sempre pilotado pela minha mão.

Uma vez disseram-me que a maior parte das nossas recordações de infância não aconteceram verdadeiramente – sonhámo-las ou imaginámo-las.

Talvez aquele fogo nunca se tenha deflagrado efectivamente. Talvez o carrinho azul nunca tenha existido de verdade. Mas eu poderia jurar que ao dobrar esta última curva no caminho o vi surgir, silencioso, manobrado por uma mão infantilmente gigantesca cujo braço se perdia na negritude do céu.

– Obrigado amigo, eu conduzo o resto do caminho.

Wow, those are a lot of words that I have no idea what they mean! Looks cold... Wed 23-Feb-2005 18:02
Posted by:dottedstripes  - [Link]
Thu 24-Feb-2005 08:39
Posted by:Mark  - [Link]
Frio = cold.I have to do with the images (great images) ,since I don't understand your palavras. Fri 25-Feb-2005 00:17
Posted by:ritaline  - [Link]
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Monday, 14-Feb-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
O Coração de Pinóquio

 
Pinochio's Heart
 
Ainda bem que no final Pinóquio conseguiu vencer todas as adversidades e se tornou um menino de verdade, de carne e osso.

Já imaginaram o problema que não teria sido ele entrar na adolescência com um coração de madeira? Da primeira vez que se apaixonasse entraria em combustão espontânea – o coração incendiar-se-ia com a paixão, alastrando rápida e tragicamente a todo o corpo do rapaz de madeira.

Se mentisse um pouco a dizer que não, que não estava apaixonado, tudo o que conseguiria, seria arder um pouco mais pelo nariz inutilmente aumentado.

Mas tudo está bem quando acaba bem.

Que terá sucedido a Pinóquio adulto? Se era uma criança quando eu li o livro, então deve ser mais ou menos da minha idade…

Provavelmente, esteja onde estiver, Pinóquio sente inflamar-se o seu coração tão fugazmente humano como o meu e o teu.

Isto, porém, sem que os melhores conselhos do seu sábio amigo Grilo Falante o possam salvar desse incêndio que não lhe consome o corpo mas nem por isso deixa de lhe consumir a alma.

Quem sabe não considere hoje Pinóquio que talvez não tivesse sido pior nunca haver deixado de ser um simples boneco de madeira.

O que será pior? Deixar o coração arder lentamente no lume falsamente brando das paixões, ou vê-lo consumir-se como um rastilho fatal num fogacho fulminante?

Se Pinóquio pudesse voltar atrás, certamente optaria por recusar a bem aventurança de se tornar uma criança de verdade ofertada pela Fada de Cabelo Azul…

Este é pelo menos o meu vaticínio.

Nice idea.....you got some good ones here!!! Wed 16-Feb-2005 00:18
Posted by:Steve Troy  - [Link]
That's cute. I bet you'll find the insides of his brain there too! Thu 17-Feb-2005 20:53
Posted by:[nico]  - [Link]
great eye! these are wonderful Sun 20-Feb-2005 18:56
Posted by:danielle jersey1113@aol.com  - [Link]
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Saturday, 5-Feb-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
O Mapa do Tesouro

 
Já perdi a conta às vezes que contei e recontei os passos. Gostava que ela estacionasse o carro exactamente no mesmo sítio onde eu parei em Agosto, naquela saudosa tarde em que viemos tomar um café à beira mar. Mas nessa altura era verão, estava tudo apinhado de carros cá em cima. Agora o parque está quase vazio. Ela nem sequer se deve lembrar onde é que o carro ficou exactamente. Não podia começar o mapa a partir do local onde saímos do carro nessa tarde. Não faz mal. Ela sabe que descemos pela escada de madeira. Quando ela receber o mapa vai saber que tem de descer novamente por essa mesma escada. Assim que pisar a areia, terá de contar 23 passos em direcção ao mar. Depois outros 47 passos para a esquerda, até chegar pertinho da rocha mais pequena. Finalmente avançará em direcção às rochas grandes, contando mais 32 passos. Aí está assinalado com um grande X vermelho o lugar onde está enterrado o tesouro. Não será preciso mais do que escavar superficialmente a areia para encontrar o pequeno baú cuja chave seguirá em anexo no envelope do mapa. Quando rodar a chave na fechadura, encontrará então o tesouro que guardo para ela no meu coração. Era impossível exprimi-lo doutra maneira que não através dum poema. Era o único modo de lhe dar forma, trazê-lo à luz do dia, acordá-lo para a vida. Espero que ela goste do poema… ele é um mapa para dentro de mim. Eu, pessoalmente, não consigo deixar de o achar um pouco ridículo. Mas, como dizia Fernando Pessoa, todas as cartas de amor são ridículas. A lógica deverá aplicar-se também aos poemas de amor, suponho eu. O que a ser verdade constituiria um trunfo a meu favor – quanto mais ridículo e absurdo o meu poema me parecer, melhor.

Love this shot!! Sun 6-Feb-2005 19:02
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Dark,blue & great! Tue 8-Feb-2005 12:48
Posted by:ritaline  - [Link]
ATUALIZA... ATUALIZA... ATUALIZA... Wed 9-Feb-2005 12:21
Posted by:Iris Letícia ilvieira@pop.com.br  - [Link]
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Friday, 4-Feb-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Museu Universal da Música VII

 
 
 
Viola de mão.
Reconstituição baseada num instrumento que se encontra no Museu da Música em Paris, atribuído a Belchior Dias, construtor português do Sec. XVI.
Construtor - Orlando Trindade (contacto: orlandotrindade@hotmail.com).


Desço…

Passo a passo, degrau a degrau, peça a peça.

Lentamente vou conquistando o meu cantinho de paz e serenidade.

Passo os dedos pela viola, evitando as cordas que arruinariam o momento… Talvez um dia ainda aprenda a tocar… mas o mais certo é não voltar a tentar.
A rosácea, qual vitral de templo gótico, transporta-me para dentro da casa da Música – tal como os antigos mosteiros e catedrais eram a casa de Deus.

Sinto-me pairar dentro do vazio dentro do instrumento, mágico até no seu silêncio.

A surdez do silêncio é a latente presença do divino.

Levitar dentro do vazio é a única forma de pisar condignamente terreno sagrado, não é?

A viola (templo) é o temporal, o palpável, o finito; o que está lá dentro (vazio) é o intemporal, o sagrado, o eterno.

Saio e torno a sair.

Tranco a porta atrás de mim.

Subo.

Escondo a chave em parte incerta, com a secreta e incontida esperança de me esquecer onde a guardei.

Eu sou o Coleccionador.

Até sempre.

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What a gorgeous instrument....I'd love to see some of these in person... Thu 3-Feb-2005 23:02
Posted by:Steve Troy  - [Link]
Thu 3-Feb-2005 23:17
Posted by:Iris Letícia ilvieira@pop.com.br  - [Link]
Tue 8-Feb-2005 12:49
Posted by:ritaline  - [Link]


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